sexta-feira, 29 de abril de 2011

Miragem


Dia desses olhei no espelho, para minha surpresa consegui me enxergar.Vi além da minha aparência torpe e degradada, além do estereótipo fútil que faço de mim.
Consegui me enxergar grande, pude ver o quanto cresci. Fui além das minhas barreiras, dos meus limites, expandi.
Foi até doloroso saber que aquela pequena menina não existe mais, não sei se ela se perdeu na caminhada ou se não chegou a prosseguir comigo o caminho.Só sei que não está, talvez tenha diluído-se em desilusões...
Percebi características antes inexistentes, conceitos grandes e essências que compõem essa grande alma,mas não a limitam.Vi braços e mãos, todos em extensão, buscando alcançar o inatingível. Aquela mente e coração pequenos agora estão em evidência.
Vi o mal que, em doses pequenas temperam meu eu. Vi o bem em luta constante, buscando se sobressair.Vi o que eu era, o que me tornei e previ o que ainda há de mudar.
Não sei se loucura ou insensatez, mas foi essa a imagem que me mostrou o estranho espelho da vida. 



Imagem:http://cemiteriodaspalavrasperdidas.blogspot.com/2009/11/espelhos-magicos.html

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tudo o que se sente

Eita saudade que dá
Da terra rachando
E anuvem falando
Que a chuva vem já

Eita saudade que dá
Do pé de agaroba
Da sombra gostosa
Pra eu me deitar

Eita saudade que dá
Do cheiro da chuva
Da terra molhada
E a semente a brotar

Eita saudade que dá
Do açude sangrando
Dos peixes pulando
De no rio nadar

Eita saudade que dá
Do verde surgindo
E a espiga do milho
Na brasa assar

Eita saudade que dá
Do povo contente
Que ama até mesmo
Sem saber amar

Eita saudade que dá
Do abraço apertado
Do amigo amado
Que deixei por lá

Eita saudade que dá
Da mulher valorosa
Que daria a vida
Pra minha poupar

Eita saudade que dá
Do valor perdido
Que mesmo escondido
Haverei de encontrar



Saudades da minha terra,na véspera do meu aniversário. Este lugar não me pertence, eu não sou daqui.